LIGEIRA

sábado, 30 outubro, 2010 at 20:13 (Coração vagabundo) (, , )

Ligeira.
Por mais rápido que eu caminhasse
não conseguia alcançá-la

Suas pernas de aço
faziam um pequeno estrondo no chão
e um arrombo na alma
seus cabelos esvoaçavam-se
como se pretendessem fazê-las flutuar

menina das pernas de aço

Como uma criança,
queria correr…
Mas não podia,
sem as pernas tremer –
juntas, até pareciam unidas –

Eu vi seu rosto.
Sim, era linda.
Eu vi um anjo!

Link permanente Deixe um comentário

TALVEZ

sábado, 16 outubro, 2010 at 21:50 (alma, Coração vagabundo, Devaneios, Existência, Inconsistências, Poesia) (, , )

"Tange, Lucio Maia"

Talvez não…
talvez o sol
não goste de sair todos os dias

Talvez
eu não esteja tão bem assim

Talvez
o mais difícil seja acordar –
tenho tido sonhos tão bons –
e encarar este mundo sujo

Talvez
o timbre forte e alto da minha voz
não assuste tanto assim

Talvez
eu não seja tão bom assim

Talvez
não escreva apenas por vontade
ou mera liberalidade
mas sim
por pura necessidade.

Link permanente Deixe um comentário

INCONSISTÊNCIA

segunda-feira, 3 maio, 2010 at 0:14 (Coração vagabundo, Devaneios, Inconsistências, Poesia, Sentimentos) (, , )

Longe! Ecoa como um sino da capela
Espalha a vida esvairada
Um copo vazio, ainda molhado,
repousa tripudiando sobre a janela

Longe! De tão contumaz, parece papel e tinta
Unidos por uma tenaz
De tão nítido, parece enxergar de olhos vendados
Pensamentos esmagados.

Perto! De tão nítido, sente ainda o perfume repentino.
Tão doce como o suor afrodisíaco
Tão quente como gelo que queima a pele

Tão perto dos pensamentos
Tão longe do coração
Do corpo, soa como címbalo.
Da vida, voa com os pés no chão

O sino! Abstinência de palavra
Eu sinto! Inconsistência me soletrava…

Link permanente Deixe um comentário

SONHO MOLHADO

sábado, 6 fevereiro, 2010 at 14:23 (alma, Amor, Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Mulher, Poesia, Sensualidade) (, , , , , , , )

Fascinação esta que me persegue
Que me enclausura na teia do amor

Que me recolhe em pleno ninho e me leva até o seu calor…
Onde me apeteço por sua alma carnal sem pudor

Entrego-me ao seu encanto divinal e de candura
Percorremos os caminhos da sedução docemente e suavemente, absorvemo-nos

Absorvemo-nos tal qual papel virgem é fundido na tinta vermelha
Como um vinho sobre ele entornado

Despertamos sensações adormecidas e aprisionadas
A pele alva e delicada, tocada por mim
Os lábios aveludados beijados por ti

Minha pele agita-se ao sentir o doce toque de suas mãos
Meus poros exalam excitação, molham tuas mãos com o suor voluptuoso
Seus lábios aveludados parecem querer permanecer para sempre colados aos meus

Sugamos o sabor da vida, olho teus olhos cintilantes, retiro o desejo e a languidez

Sabor que sinto ao deslizar pela tua pele molhada com o nosso suor
Que sinto ao percorrer com minha boca sedenta o teu corpo estirado como se pedisse meu prazer
Como se fosse uma taça de vinho, aprecio vagarosamente teu prazer

No ar um odor, as pétalas de rosas que inalamos devagar. O leito repleto de amor,
Acolhe os amantes
Que se exploram
Que se amam
Que se desejam
Que se querem
Mas não se têm, porque do sonho acordam. Um em cada leito, sós.

Um sonho molhado
Sonho sonhado.

Samuel Vigiano

Link permanente Deixe um comentário

DISRITMIA

domingo, 31 janeiro, 2010 at 4:45 (alma, Amor, Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Espelho, Mulher, Poesia, Sentimentos) (, , , , , , , , )

Percebe-me? Minha respiração marca o espelho da tua alma. Sente-me? Percorro tuas veias, vou até seu coração. Ouve-me? Coração em disritmia.

Despertas em mim, sentidos e emoções… Que faz meus poros tripudiar como se fosse milhões de vulcões.

É a disposição ordenada de palavras despidas que incita percorrer minha imaginação como se tivesse na descida da avenida. Queima…

Pensamentos atentos convertidos em palavras ao pé do ouvido sussurradas que meu corpo lavra. Lavra como se talhasse na madeira de lei.

Como se fosse madeira de lei oferecida a um rei. Tuas palavras convertidas em pontos no tempo talham minha pele úmida a todo o momento.

Por um instante me perco na intensidade de seus pensamentos sussurrados que chegam de forma penetrante e me deixa estonteante…

Dito já foi: a noite é uma criança. Lançarei sobre ti meu olhar fugaz que te trará junto com a noite estrelada e cairás sobre mim.

Meu regaço arde em chamas, minha pele te reclama, meu calor é o seu pudor. Suprimida será sua dor…

Percebe-me? Minha respiração marca o espelho da tua alma. Sente-me? Percorro tuas veias, vou até seu coração. Ouve-me? Coração em disritmia.

Hei, de todas as formas, te amar [com palavras, gesto, respiração, carinho no corpo e olhar]. Lhe darei meu coração se me deres teu luar. Mulher de fases, irei te amar…

Mulher de fases… Fases da lua, fases que são sua… Sorriso de criança, corpo de menina e alma de mulher… É assim que você é.

Estou perdendo-me nas tuas palavras, teus encantos, tuas histórias… Encontre-me, por favor.

Samuel Vigiano

Link permanente Deixe um comentário

ANÔNIMOS CONHECIDOS

terça-feira, 26 janeiro, 2010 at 1:08 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Poesia, Prazeres, Sensualidade, Sentimentos, Sexo) (, , , , , , , )


Anônimos Conhecidos

Você é uma flor… Aquela que aparece na primavera e se torna invisível no verão. Voa em direção ao horizonte. Mas sempre deixa teu perfume.

Que me envolve e me entontece de prazer.

Prazer que eu bebo em gotas…

Gotas provenientes do seu corpo que feito como taça, cabe perfeitamente em meus lábios.

Salgadas as gotículas que saboreio como se palavras se tratassem.

Gosto salgado é sim, o da tua pele molhada de suor…

Suor que salga meus lábios lava meu corpo.

Leva-me até minha alma teus mais profundos sentidos e desejos.

Lavo-te com meu calor, que queima teu colo que repousa no meu regaço.

Que me acolhe e me tranquiliza, levando-me nas asas da calmaria e repouso lânguido sob as estrelas no firmamento.

Trago-te junto a mim. Levo-te da terra à constelação salaz. Teu corpo chora, tua pele brilha, pois dos teus poros saem lágrimas de felicidade.

Partimos rumo ao incerto, mas decerto felizes e audazes, em busca de amor eterno.

Nossa viagem nos conduz de um ao outro cômodo da vivenda. Da cama para a rua. Do paraíso ao jardim de Dante…

Tal como um quadro de Bosch, vibramos e extasiamo-nos.

Juntos, pintamos em nossos corpos “O Jardim das Delícias Terrenas”.

Meu corpo transforma-se em pincel em mão de artista, meu vinho a tinta, e teu corpo a tela.

Nasce a obra imperfeita pela mão do artista, onde se misturam sabores, odores e cores.

Na obra, ele suga da sua flor o néctar e percebe-se o delicioso sabor. A pintura deixa cores naturas, estampadas com deleite nos nossos corpos. O odor exalado entorpece-me e deixa-me sedento de ti.

Sacio esta sede, esta fome de te ter, este pecado terreno, onde se possuem os amantes.

Juntos, saciaremos nossa sede voluptuosa… Sede que me consome como língua de fogo… Possuir-te. És minha.

Não fujo das luxúrias do prazer porque minha alma é livre e meu corpo teu.

Samuel Vigiano

Link permanente Deixe um comentário

POETA AMANTE

sábado, 23 janeiro, 2010 at 0:33 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Prazeres, Sensualidade, Sentimentos, Sexo) (, , , , , , )


"Amantes"

Sim, eram dois seres cálidos.

Dois seres imperfeitos, mas que eram completos pelo amor que ostentavam.
Amor, palavra que lembrava-lhes a afeição viva pela mesma coisa: a poesia.
Faziam poesia de tudo, em tudo, sempre, com nada e com tudo.

Cada gesto dele era uma poesia que a alma dela entregava rabiscada.
O olhar dela, pungente ou perspicaz, impassível ou abrasador. Era poesia ao corpo dele.
Faziam poesias com olhares e movimentos. Com respiração e contentamento.

O vinho dele era tinta no pergaminho vivo, a pele dela.
Grafava ele [o poeta] em sua epiderme… O amor.
Pele suave que propiciava a ela deleite quando suas mãos escreviam-na.

Ele transfundia nela seu sangue. Sangue de um coração vagabundo.
Fazia de modo que lavrasse no corpo virgem dela a alma nova no espelho.
Como se fosse um galeão pronto pra guerra sobre o mar.
Ele navegava sobre ela com se fosse o Mar Vermelho…

Samuel Vigiano

Link permanente Deixe um comentário

RECOMEÇAR…

quinta-feira, 7 janeiro, 2010 at 14:53 (Coração vagabundo, Recomeçar, Sentimentos) (, , )

Não importa onde você parou,
em que momento da vida você cansou,
o que importa é que sempre é possível
e necessário “Recomeçar”.
Recomeçar é dar uma nova
chance a si mesmo.
É renovar as esperanças na vida
e o mais importante:
acreditar em você de novo.

Sofreu muito nesse período?
Foi aprendizado.

Chorou muito?
Foi limpeza da alma.

Ficou com raiva das pessoas?
Foi para perdoá-las um dia.

Sentiu-se só por diversas vezes?
É por que fechaste a porta até para os outros.

Acreditou que tudo estava perdido?
Era o início da tua melhora.

Pois é!
Agora é hora de iniciar,
de pensar na luz,
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.

Que tal um novo emprego?
Uma nova profissão?
Um corte de cabelo arrojado, diferente?
Um novo curso,
ou aquele velho desejo de apender a pintar,
desenhar,
dominar o computador,
ou qualquer outra coisa?

Olha quanto desafio.
Quanta coisa nova nesse mundão
de meu Deus te esperando.

Tá se sentindo sozinho?
Besteira!
Tem tanta gente que você afastou
com o seu “período de isolamento”,
tem tanta gente esperando apenas um
sorriso teu para “chegar” perto de você.

Quando nos trancamos na tristeza nem
nós mesmos nos suportamos.
Ficamos horríveis.
O mau humor vai comendo nosso fígado,
até a boca ficar amarga.

Recomeçar!
Hoje é um bom dia para começar
novos desafios.

Onde você quer chegar?
Ir alto.
Sonhe alto,
queira o melhor do melhor,
queira coisas boas para a vida.
pensamentos assim trazem para nós
aquilo que desejamos.

Se pensarmos pequeno,
coisas pequenas teremos.

Já se desejarmos fortemente o melhor
e principalmente lutarmos pelo melhor,
o melhor vai se instalar na nossa vida.

E é hoje o dia da Faxina Mental.

Joga fora tudo que te prende ao passado,
ao mundinho de coisas tristes,
fotos,
peças de roupa,
papel de bala,
ingressos de cinema,
bilhetes de viagens,
e toda aquela tranqueira que guardamos
quando nos julgamos apaixonados.
Jogue tudo fora.
Mas, principalmente,
esvazie seu coração.
Fique pronto para a vida,
para um novo amor.

Lembre-se somos apaixonáveis,
somos sempre capazes de amar
muitas e muitas vezes.
Afinal de contas,
nós somos o “Amor”.

Paulo Roberto Gaefke

Link permanente Deixe um comentário

O ESPELHO…

sábado, 26 dezembro, 2009 at 18:17 (Coração vagabundo, Devaneios, Sentimentos) (, , , )

E que Narciso acha feio aquilo que não é espelho… Sim, ele acha feio aquilo que não é espelho, e você acha bonito aquilo que vê no espelho?

Quando ouvi esse trecho da música imortalizado na música de Caetano Veloso, canção denominada Sampa, não tinha despertado em mim memórias em relação ao espelho. Após ouvir novamente, iniciei minha reflexão atinente ao espelho.

Um fato que me veio lume foi, talvez o mais cômico, a cena onde eu chorei (uma dos raros momentos) em frente ao espelho. Talvez seja porque tentava encontrar minha alma, fitar meu espírito angustiado. Não sei, mas lembro que chorava procurando a essência de meu âmago, e isso me deixava, levemente anestesiado.

Tinha uma límpida imagem que parecia enxergar duas almas. Uma exterior e outra interior. Fazia indagações, lamentava, ria e chorava, mas sempre fitado na mesma representação de um ser.

Tinha a alma presa, tristeza profunda… Uma alma tentava puxar a outra do oceano, libertar tua companheira. Alma externa buscava resgatar a alma interna que presa se encontrava.

O espelho me mostrava que tenho a vulnerabilidade de um nascituro, que pra conquistar o mundo faço de tudo, que o vinho me fazia viajar ao passado. Essa era minha alma interior.

A alma exterior ligada umbilicalmente ao coração vagabundo dizia que o equilíbrio era tua maior arma, que a teimosia era apenas uma peculiaridade e que os meus anseios eram apenas sossegar o desinquieto coração, beber do meu barato whisky e ouvir uma boa canção.

Era a dança da alma que só se era possível descortinar através daquele espelho, que era o que o que meu coração vagabundo gostaria de ver naquele momento.

E você, o que enxerga no seu espelho?

Link permanente Deixe um comentário