DESCUIDADO

sábado, 30 outubro, 2010 at 20:14 (Coração vagabundo, Desejos) (, , )

Eu
não te amo
mas te quero

Eu
te quero
mas não estou apaixonado

Sou
sou apenas um descuidado

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INTRUSO

sábado, 16 outubro, 2010 at 21:22 (Coração vagabundo, Mulher, Pecado, Poesia) (, )

"S/T, Víctor Tajes Martíns"

Antes, ainda nem existia
agora, é boca, lábios, olhos
de um sorriso nefasto,
de um escuro misterioso
de um nada… foi assim

De pés cobertos
mãos desinquietas
de brilho no escuro
pude ouvir tua respiração
consistente te denunciar

Um cheiro de flor
um silêncio e calor
uma imagem de amor
que não me pertence

Um intruso na poesia alheia
saio para não deixar rastro
Eu não sou um da tua aldeia

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O DESAVISADO E O PECADO

sexta-feira, 2 abril, 2010 at 18:47 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Mulher, Olhar, Pecado, Poesia) (, , , , )

Ela tem olhos cor de mel,
Sorriso de criança e lábios sabor de maçã.
Maçã do amor.

A pele como seda imperial
O cheiro de mirra do Egito
E o olhar de Medusa.

Tão fácil é perder-se naquele olhar,
Fatal e mortal.
Tão, mais ainda, mortal pra um desavisado como eu…

Como embrenhar no mar devoluto
Um galeão sem tripulação, uma guerra sem soldados
Uma dança sem música… Ele, desavisado.

Nenhum atrevido restou pra contar história
Contar história e avisar-lhe
Arriscavam no mar, sem mapa ou bússola pra guiar.
Nunca mais iria voltar.

O calor da mão dela derretia…
Derretia o gelo no copo de whisky dele.
A vida se esvaia concomitantemente com aquele gelo.

Do próprio veneno, o pecado
Do pecado, o desavisado
Do desavisado, a morte
Da morte, o amor.

O pecado do desavisado,
Provar o veneno.

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O OLHAR…

segunda-feira, 1 março, 2010 at 18:09 (Coração vagabundo, Desejos, Mulher, Olhar, Poesia, Prazeres, Sensualidade) (, , , )

Parecia a segunda parte que o toureiro executa, não prevista pelos espectadores

Do trivial olhar, do relance e casual contemplar, sobreveio o “olhar”.

Era aquela comunicação direta onde desejava ele enxergar seu reflexo na menina dos olhos dela.

Queria penetrar a retina, chegar ao cérebro e como uma mensagem deste, percorrer todo o sistema nervoso dela.

Queria sentir, telepaticamente, cada fio de cabelo se arrepiando como se fosse um vento visível se aproximar…

A temperatura do corpo dela… Ele queria sentir através do seu olhar.

Parecia terra devoluta, nunca pertencida a ninguém mesmo estando ocupada…

Tecidos, cores, brilhos, ouro… pele serena, lábios aveludados com minúsculas fissuras marcadas pelo leve batom.

Cruzavam-se novamente os globos oculares em meios de refração.
Efeito bullet-time…

Nessa fração de segundos descortinava-se o homen e a mulher.

Todos estavam por demasiado ocupados com seus pensamentos pra apreciarem o olhar penetrante lançado sobre ele, por sua vez, refletido…

Parecia não ter fim. Um clique no pause para ser ler minunciosamente cada detalhe, cada elemento subjetivo, cada palavra estampada naquele arrostar…

Ele se perdeu naquele olhar…

Em meio as cirradas bordas carnudas e vermelhas, que pareciam desenhadas recentemente, despontava um tímido sorriso.

Como o sol manifesta seu brilho acanhado em meio a cinzas nuvens, formavam-se os traços epidérmicos da alegria.

Nenhuma palavra, um olhar, muitas sensações.

Ela esqueceu seus olhos no dele…

(Samuel Vigiano)

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DISRITMIA

domingo, 31 janeiro, 2010 at 4:45 (alma, Amor, Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Espelho, Mulher, Poesia, Sentimentos) (, , , , , , , , )

Percebe-me? Minha respiração marca o espelho da tua alma. Sente-me? Percorro tuas veias, vou até seu coração. Ouve-me? Coração em disritmia.

Despertas em mim, sentidos e emoções… Que faz meus poros tripudiar como se fosse milhões de vulcões.

É a disposição ordenada de palavras despidas que incita percorrer minha imaginação como se tivesse na descida da avenida. Queima…

Pensamentos atentos convertidos em palavras ao pé do ouvido sussurradas que meu corpo lavra. Lavra como se talhasse na madeira de lei.

Como se fosse madeira de lei oferecida a um rei. Tuas palavras convertidas em pontos no tempo talham minha pele úmida a todo o momento.

Por um instante me perco na intensidade de seus pensamentos sussurrados que chegam de forma penetrante e me deixa estonteante…

Dito já foi: a noite é uma criança. Lançarei sobre ti meu olhar fugaz que te trará junto com a noite estrelada e cairás sobre mim.

Meu regaço arde em chamas, minha pele te reclama, meu calor é o seu pudor. Suprimida será sua dor…

Percebe-me? Minha respiração marca o espelho da tua alma. Sente-me? Percorro tuas veias, vou até seu coração. Ouve-me? Coração em disritmia.

Hei, de todas as formas, te amar [com palavras, gesto, respiração, carinho no corpo e olhar]. Lhe darei meu coração se me deres teu luar. Mulher de fases, irei te amar…

Mulher de fases… Fases da lua, fases que são sua… Sorriso de criança, corpo de menina e alma de mulher… É assim que você é.

Estou perdendo-me nas tuas palavras, teus encantos, tuas histórias… Encontre-me, por favor.

Samuel Vigiano

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ANÔNIMOS CONHECIDOS

terça-feira, 26 janeiro, 2010 at 1:08 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Poesia, Prazeres, Sensualidade, Sentimentos, Sexo) (, , , , , , , )


Anônimos Conhecidos

Você é uma flor… Aquela que aparece na primavera e se torna invisível no verão. Voa em direção ao horizonte. Mas sempre deixa teu perfume.

Que me envolve e me entontece de prazer.

Prazer que eu bebo em gotas…

Gotas provenientes do seu corpo que feito como taça, cabe perfeitamente em meus lábios.

Salgadas as gotículas que saboreio como se palavras se tratassem.

Gosto salgado é sim, o da tua pele molhada de suor…

Suor que salga meus lábios lava meu corpo.

Leva-me até minha alma teus mais profundos sentidos e desejos.

Lavo-te com meu calor, que queima teu colo que repousa no meu regaço.

Que me acolhe e me tranquiliza, levando-me nas asas da calmaria e repouso lânguido sob as estrelas no firmamento.

Trago-te junto a mim. Levo-te da terra à constelação salaz. Teu corpo chora, tua pele brilha, pois dos teus poros saem lágrimas de felicidade.

Partimos rumo ao incerto, mas decerto felizes e audazes, em busca de amor eterno.

Nossa viagem nos conduz de um ao outro cômodo da vivenda. Da cama para a rua. Do paraíso ao jardim de Dante…

Tal como um quadro de Bosch, vibramos e extasiamo-nos.

Juntos, pintamos em nossos corpos “O Jardim das Delícias Terrenas”.

Meu corpo transforma-se em pincel em mão de artista, meu vinho a tinta, e teu corpo a tela.

Nasce a obra imperfeita pela mão do artista, onde se misturam sabores, odores e cores.

Na obra, ele suga da sua flor o néctar e percebe-se o delicioso sabor. A pintura deixa cores naturas, estampadas com deleite nos nossos corpos. O odor exalado entorpece-me e deixa-me sedento de ti.

Sacio esta sede, esta fome de te ter, este pecado terreno, onde se possuem os amantes.

Juntos, saciaremos nossa sede voluptuosa… Sede que me consome como língua de fogo… Possuir-te. És minha.

Não fujo das luxúrias do prazer porque minha alma é livre e meu corpo teu.

Samuel Vigiano

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POETA AMANTE

sábado, 23 janeiro, 2010 at 0:33 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Prazeres, Sensualidade, Sentimentos, Sexo) (, , , , , , )


"Amantes"

Sim, eram dois seres cálidos.

Dois seres imperfeitos, mas que eram completos pelo amor que ostentavam.
Amor, palavra que lembrava-lhes a afeição viva pela mesma coisa: a poesia.
Faziam poesia de tudo, em tudo, sempre, com nada e com tudo.

Cada gesto dele era uma poesia que a alma dela entregava rabiscada.
O olhar dela, pungente ou perspicaz, impassível ou abrasador. Era poesia ao corpo dele.
Faziam poesias com olhares e movimentos. Com respiração e contentamento.

O vinho dele era tinta no pergaminho vivo, a pele dela.
Grafava ele [o poeta] em sua epiderme… O amor.
Pele suave que propiciava a ela deleite quando suas mãos escreviam-na.

Ele transfundia nela seu sangue. Sangue de um coração vagabundo.
Fazia de modo que lavrasse no corpo virgem dela a alma nova no espelho.
Como se fosse um galeão pronto pra guerra sobre o mar.
Ele navegava sobre ela com se fosse o Mar Vermelho…

Samuel Vigiano

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MULHER DESCONHECIDA…

sexta-feira, 8 janeiro, 2010 at 19:28 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Sensualidade) (, , )

Desejo latente, como a imagem de um filme ainda não revelado…

Era o anseio dele, o coração vagabundo.

Tinha ele um coração vagabundo, irredutível, persistente e teimoso. Mas esta ambição voluptuosa não era proveniente de tal coração, mas sim oriundo daquele corpo tórrido que admirava uma mulher incógnita.

Tinha ele uma sofreguidão dilacerante que se iniciava em teus poros e percorria lhe o corpo com passagem garantida pelos seus sentidos libidinosos.

Balançava-lhe a mente e sacudia a carne.

Já ela, por sua vez, era uma mulher desconhecida que tinha tamanha responsabilidade pela causa daquele motim molecular, causava todos aqueles atritos subcutâneos, que gerava a calefação das células daquele homem, que tinha um coração vagabundo.

Mas ela ainda não sabia… Nunca soube…

Uma mulher desconhecida para seus juízos, mas não para seu corpo que sabia de tudo, cada peculiaridade feminina que carregava aquele ser…

Sabia ser cruciante aquele trajeto lhe compelia a apenas contemplar aquela beleza estonteante e que lhe fazia ter devaneios

Sabia, enxergava, sentia, ouvia, lia todos os traços daquela mulher…

Tinha-a tão perto como o céu, sentia-a na pele como o sol.

O que ele queria mesmo era que ela esquecesse seus olhos no dele, deixasse sua pele grudada na dele, que alimentasse sua avidez em beber teu prazer em gotas, saciar tua sede no humano vinho dela.

Desejava ele, coração vagabundo, mergulhar teu corpo no dela e transfundir teu sangue para aquele corpo… Mulher desconhecida!

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