INTRUSO

sábado, 16 outubro, 2010 at 21:22 (Coração vagabundo, Mulher, Pecado, Poesia) (, )

"S/T, Víctor Tajes Martíns"

Antes, ainda nem existia
agora, é boca, lábios, olhos
de um sorriso nefasto,
de um escuro misterioso
de um nada… foi assim

De pés cobertos
mãos desinquietas
de brilho no escuro
pude ouvir tua respiração
consistente te denunciar

Um cheiro de flor
um silêncio e calor
uma imagem de amor
que não me pertence

Um intruso na poesia alheia
saio para não deixar rastro
Eu não sou um da tua aldeia

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NOTA

domingo, 10 outubro, 2010 at 4:31 (Coração vagabundo, Devaneios, Inconsistências)

eu vejo aqueles que caminham,
entrelaçados como se quisessem mostrar
para todos que o abraço foi inventado
por eles

eu vejo aquela que lê,
solitária e confusa,
como se não soubesse ler

eu vejo aquelas que conversam
e se olham,
como se não se vissem há dez anos

eu vejo aquele que também lê,
mas olha para todos os lados
querendo ser notado

eu? Apenas vejo, penso…
tomo nota.
ninguém nota…

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POST’IT

domingo, 10 outubro, 2010 at 4:05 (Coração vagabundo, Mulher, Poesia, Sentimentos, Tempo)

post’it…
tudo o que ela tinha para me dizer
cabia num post’it amarelo
colado na primeira página do meu livro
onde as palavras gritavam

como se fosse um funeral,
procurei guardar as palavras
antes que elas me guardassem

simples como um anel,
de tão doces,
amargas como fel.

aquele livro,
não mais voltarei a ler,
aquela moça,
nunca mais voltarei a ver.

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NOVATA

domingo, 10 outubro, 2010 at 3:59 (Coração vagabundo)

“é que sou nova por aqui
e ainda não conheço tudo”

que voz mais doce e suave,
que sorriso tímido delicioso
que olhar firme,
suavemente melancólico.

um rostinho de criança esperta
corpo de mulher carente,
daqueles que conversa com agente

puxando os cabelos para atrás
da orelha,
ainda olhou-me
e saiu com meu sorriso.

como eu queria…
ouvir novamente aquela voz.

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ELA, A FLORBELA

domingo, 10 outubro, 2010 at 3:20 (Coração vagabundo, Mulher, Nostalgia, Pecado)

nome de poeta,
nome de flor,
de nome e corpo és bela.

uma donzela, despida e só
numa cidadela; sem porta nem janela
sem sentinela
não, a ninguém ela dá trela

algumas cores,
imagino tambores
e estas perigosas curvas
a danas em meio a flores

ela, a Florbela!
Sei que se cansa só de olhar pela janela
tento ver o que a vista não alcança
mas assim fico, desejando o que não terei
como se fosse uma criança, nada direi

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SENTINELA DOS OLHOS

domingo, 10 outubro, 2010 at 3:18 (Coração vagabundo, Devaneios)

ela sorria e o céu se abria
seus dentes pareciam sentinelas
de alma e suas palavras
soavam como o sol
beijando as ondas do mar

saindo de traz das máscaras
saindo de mim
sou um mar de palavras virgens,
não defloradas em tinta azul
e papel amarelado

de tanto mar,
meu barco içou velas e por eles navegou
navegou até chegar ao monte
monte de gente
gente muda, sem face.
apenas vultos, sombras

daquilo que um dia foi,
menino vadio, corpo vazio
daquilo que hoje é,
homem ávido de palavras e corpos
daquilo que um dia será,
não se sabe

primavera em outono
flores e cerejas
ela e ele, num mar
de sofreguidão e calor
navegaram entre sentinelas,
sem portas ou janelas

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CEMITÉRIO DE ALMAS

domingo, 3 outubro, 2010 at 18:22 (Coração vagabundo) (, , )

Caminho em meio a elas,
Almas desalojadas de seus corpos
Meus passos são vagos e inconsistentes,
Assim como elas.

Todas murmuram dissabores,
Religiões, histórias e amores.
São quase discretas, quase mundanas,
Se não fossem aos olhos dos poetas…

Cemitério de almas;
Vazias de emoção e cheias de calmas.
Algumas me olham como se procurassem por algo,
Mas não enxergam.
Eu bato palmas…

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PECADO E VENENO

sábado, 2 outubro, 2010 at 0:58 (Coração vagabundo, Devaneios, Pecado, Poesia) (, , )

Minhas mãos tem o cheiro do pecado que eu inventei,
porém ainda não pequei..
O cheiro insano e profano,
de um pecado mundano.

Meus olhos tem a cor do veneno que criei,
porém ainda não envenenei…
Não gritei, não alimentei, não puxei, não pulei.

Nada fiz eu!
Apenas cheguei: Anui e, silente, admirei!

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SANGUE AZUL

domingo, 26 setembro, 2010 at 21:03 (alma, Coração vagabundo, Inconsistências, Poesia) (, )

Meu sangue é azul,
eu sei.
Eu vi. Sangue azul.
Mas não sou um aristocrata
Sou apenas um poeta
Sem nome; e de sangue azul

À meritocracia,
do sono do inocente.
Mérito jacobino de um país
de insanos, de um Estado palaciano

Escrevo para os ventos
Alguns cumprimentos
Sentimentos

Em folha amarela,
Vejo meu sangue esparramado
Em gotas,
foi derramado em vão.
Sangue azul de um varão.

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HUMANO

segunda-feira, 20 setembro, 2010 at 13:37 (alma, Pessoas, Poesia) (, )

“Tudo é humano”,
dizia Ronaldo,
enquanto mordia seu pão com pernil.
Eu lia Bukowski e bebia uma cerveja
quando ele sentou-se ao meu lado.

Ele acabara de beijar a mulher de sua vida
pela primeira vez.
Estava feliz.
Eu acabara de deixar uma mulher na esquina,
depois do teatro.
Estava confuso.

Dizia que ser humano é tudo que se move conscientemente
O que eu chamava de bizarro,
ele dizia: “humano”

“E aquelas mulheres ali?”
Perguntou.
“Zuadas”, eu disse.
Não, humanas. Disse ele.

Não existe nada zuado ou bizarro
Tudo é aceitável, humano.
Tudo é poesia.

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