NOSTALGIA

quarta-feira, 27 outubro, 2010 at 0:09 (alma, Coração vagabundo, Nostalgia, Poesia, Prazeres, Tempo) (, )

Às vezes
sinto-me triste
aparentemente sem nenhum motivo

Mas precisa de motivo?

Acho que as pessoas nas ruas
são tristes
por isso fico triste
É questão de ser solidário
com a melancolia delas

As pessoas em Dom Silvério
eram alegres e quentes

Acho que o sol
era mais gostoso lá
assim como o ar

Por isso eram poesias ambulantes

Se eu lá voltar
Trá-las-ei pra cá.

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POST’IT

domingo, 10 outubro, 2010 at 4:05 (Coração vagabundo, Mulher, Poesia, Sentimentos, Tempo)

post’it…
tudo o que ela tinha para me dizer
cabia num post’it amarelo
colado na primeira página do meu livro
onde as palavras gritavam

como se fosse um funeral,
procurei guardar as palavras
antes que elas me guardassem

simples como um anel,
de tão doces,
amargas como fel.

aquele livro,
não mais voltarei a ler,
aquela moça,
nunca mais voltarei a ver.

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ANEDOTÁRIO….

sexta-feira, 23 abril, 2010 at 23:05 (Coração vagabundo, Desejos, Nostalgia, Poesia, Sentimentos, Tempo) ()

Foto extraída do Blog "O Equador das Coisas"

O anedotário humano, trigueiro e solitário
Inocente, matuto. Um pequeno otário.
De menino vadio, saliente
Para mancebo da palavra delinqüente

De passos incertos, perversos
Concerto de anedotas, fala rouca.
Um “passo”, por não saber a resposta
Planos reversos

Barro anforal, mãos deleitadas.
Do toque cálido ao frio argiloso
Forma rotunda, daquelas mãos oriundas.
Um sorriso contido ao segurar o receptáculo barroso

Um presente vazio que aguarda ser preenchido.
Nas mãos do menino, um desejo mesquinho.
Anedotas.

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TERRÁQUEOS INVISÍVEIS

quarta-feira, 10 março, 2010 at 0:05 (alma, Coração vagabundo, Existência, Mundo, Olhar, Pessoas, Sentimentos, Tempo) (, , , )

TERRÁQUEOS INVISÍVEIS

Coisas aconteciam lá fora…
Coisas que aqueles terráqueos deram o nome de vida.
Descobriu que lá fora, depois daquela janela, passavam vidas…

Por uma singela fração de segundos aquele vidro fumê foi o portal.
O portal que não podia ser transpassado
Que separava a vida lá fora e o pensamento ali dentro.

Como no mito da caverna, ele apenas via
Via que lá fora tinha alguma vida
Que ele estava sentado em cima de alguma pedra
Uma pedra chamada pensamento numa fração de segundo.

Naquele instante ele não existia
Extinguira-se juntamente com a existência humana.
Humanos? O que era isso? Aqueles terráqueos?

Eles não sabem o que fazem…
Não sentem as nuvens
Não vêem os pássaros
Não ouvem o sol…
Ah, eles não sabiam o que era isso…

Um monstro…
Um monstro sagrado e bonito.
Parece que ele pintava um quadro vivo
De repente surge ele, o mar…
Mar de gente invisível… Seriam esses os humanos?

Algo molha sua face
Era quente, parecia terráqueos…
Ou humanos invisíveis?
Era vermelho… Vermelho e viscoso.

Aquilo que brilhava no alto se foi…
Tudo tremia. Tripudiavam suas moléculas
Alarde coletivo de terráqueos invisíveis e perdidos no mar…
No mostro… Pista traiçoeira.
Acordou da vida…

Samuel Vigiano

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A PALO SECO

quinta-feira, 18 fevereiro, 2010 at 0:36 (alma, Coração vagabundo, Devaneios, Nostalgia, Saudades, Tempo) (, , )

20 anos! Riscou 20 linhas pouco tortas sobre o papel amarelado que se escondia cerca de 7400 dias dentro da caixinha de madeira da infância guardada no âmago dele.

Era um pergaminho, pouco velho e amassado que continha todo o roteiro escrito da sua vida até ali. Um pedaço do pergaminho que dera a ele o seu avô.

Na sua infância, aprendeu que a vida era simples, bastava não ter medo dela. Aquele sinhô, velho com as pernas frágeis e as mãos já pouco trêmulas, chamado José Veríssimo Vigiano era – ainda é e sempre será – o sol daquelas montanhas verdeadas a perder de vista. Seu herói.

20 anos! Contou-os gota a gota. Rodou o filme numa caixinha de manivela com desenho a traço vazado em branco sobre chapado azul. Um sonho…

O filme tinha partes em preto e branco, mas era por que ele, seu avô, gostava de Mazzaropi então escrevera uma cena monocromática. É neste ato, perde-se a fala. Perde-se o poeta matuto…

E quando a chuva caia, aquele cheiro de terra molhada típico daquelas terras, faziam viajar seus pensamentos. A relva o acolhia como se fosse um menino ao acalento de sua mãe.

Dizendo o que ninguém ouvia, ouvindo quem nunca dizia… Aquele velho tinha um mundo apenas seu! Ninguém entrava… Nem incomodava…

O jovem, por sua vez, falante como aquele pássaro que o despertava pela manhã, sonhava com o tempo corrido, com o futuro prometido… Tinha saudades do tempo por ele não vivido.

20 anos! Transformava-se 21… Naquele caminho de terra, pés descalços, estilingue nas mãos, um chapéu de palha, uma calça rasgada e um rosto gentil. Menino sonhador.

Sobre o luar descobria seu caminho. Só desvendara porque o pedaço de papel que o dera seu avô só se fazia nítido sob os olhos da lua. Lucidez contrafeita.

Ainda leva junto de si aquele velho pedaço de pergaminho amarelado…

Um tanto de dias… Contou-os gota a gota. Rodou o filme numa caixinha de manivela com desenho a traço vazado em branco sobre chapado azul. Um sonho… Uma vida.

Samuel Vigiano

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