BANHO

sábado, 16 outubro, 2010 at 21:44 (Coração vagabundo, Devaneios, Mulher, Pecado, Poesia, Prazeres, Sexo) (, )

"O Banho, Francisco Panachão"

“Me leva para o banho?”
disse com a voz trêmula
sabe, um banho é algo mágico

Por vezes
me peguei tomando as maiores decisões
da minha puta vida
no banho

A primeira vez que ejaculei
foi no banho
a primeira vez que chorei –
por estar ferido por dentro–
foi no banho

Um banho é como escrever poesia
sempre sai algo novo
e o melhor banho é aquele da madrugada
nada houve além do seu silêncio

Um banho quente
é como uma noite de sono
um banho frio
parece uma noite de sonhos

A primeira vez que notei
que
independente do estado
o pau era uniforme, torto e monstruoso
foi no banho

A primeira vez
que me apaixonei por uma música
estava no banho
também estava lá
quando
pela primeira vez
odiei uma música

O banho é uma poesia
sempre inacabada

Eu? não
não a levei para o banho
ela me levou…
a poesia.

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PELE ROSADA…

sábado, 27 março, 2010 at 13:27 (Coração vagabundo, Desejos, Mulher, Poesia, Sensualidade) (, )

Pernas cruzadas,
Pele levemente rosada,
Mãos delicadas com perfeitas unhas
Todas pintadas de esmalte rosa chiclete.

Tinha um olhar compenetrado,
Lia alguma coisa que a prendia.
Lábios avermelhados que pareciam receptivos,
Receptivos a um beijo carnal.

Um colar reluzente,
Talvez fosse diamante azul.

Tão concentrada…
Nem mesmo meu olhar desinquieto incomodava-a.
Seria Julia ou Ana?
Fico sem saber, menina da pele rosada.

Samuel Vigiano

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O OLHAR…

segunda-feira, 1 março, 2010 at 18:09 (Coração vagabundo, Desejos, Mulher, Olhar, Poesia, Prazeres, Sensualidade) (, , , )

Parecia a segunda parte que o toureiro executa, não prevista pelos espectadores

Do trivial olhar, do relance e casual contemplar, sobreveio o “olhar”.

Era aquela comunicação direta onde desejava ele enxergar seu reflexo na menina dos olhos dela.

Queria penetrar a retina, chegar ao cérebro e como uma mensagem deste, percorrer todo o sistema nervoso dela.

Queria sentir, telepaticamente, cada fio de cabelo se arrepiando como se fosse um vento visível se aproximar…

A temperatura do corpo dela… Ele queria sentir através do seu olhar.

Parecia terra devoluta, nunca pertencida a ninguém mesmo estando ocupada…

Tecidos, cores, brilhos, ouro… pele serena, lábios aveludados com minúsculas fissuras marcadas pelo leve batom.

Cruzavam-se novamente os globos oculares em meios de refração.
Efeito bullet-time…

Nessa fração de segundos descortinava-se o homen e a mulher.

Todos estavam por demasiado ocupados com seus pensamentos pra apreciarem o olhar penetrante lançado sobre ele, por sua vez, refletido…

Parecia não ter fim. Um clique no pause para ser ler minunciosamente cada detalhe, cada elemento subjetivo, cada palavra estampada naquele arrostar…

Ele se perdeu naquele olhar…

Em meio as cirradas bordas carnudas e vermelhas, que pareciam desenhadas recentemente, despontava um tímido sorriso.

Como o sol manifesta seu brilho acanhado em meio a cinzas nuvens, formavam-se os traços epidérmicos da alegria.

Nenhuma palavra, um olhar, muitas sensações.

Ela esqueceu seus olhos no dele…

(Samuel Vigiano)

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SONHO MOLHADO

sábado, 6 fevereiro, 2010 at 14:23 (alma, Amor, Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Mulher, Poesia, Sensualidade) (, , , , , , , )

Fascinação esta que me persegue
Que me enclausura na teia do amor

Que me recolhe em pleno ninho e me leva até o seu calor…
Onde me apeteço por sua alma carnal sem pudor

Entrego-me ao seu encanto divinal e de candura
Percorremos os caminhos da sedução docemente e suavemente, absorvemo-nos

Absorvemo-nos tal qual papel virgem é fundido na tinta vermelha
Como um vinho sobre ele entornado

Despertamos sensações adormecidas e aprisionadas
A pele alva e delicada, tocada por mim
Os lábios aveludados beijados por ti

Minha pele agita-se ao sentir o doce toque de suas mãos
Meus poros exalam excitação, molham tuas mãos com o suor voluptuoso
Seus lábios aveludados parecem querer permanecer para sempre colados aos meus

Sugamos o sabor da vida, olho teus olhos cintilantes, retiro o desejo e a languidez

Sabor que sinto ao deslizar pela tua pele molhada com o nosso suor
Que sinto ao percorrer com minha boca sedenta o teu corpo estirado como se pedisse meu prazer
Como se fosse uma taça de vinho, aprecio vagarosamente teu prazer

No ar um odor, as pétalas de rosas que inalamos devagar. O leito repleto de amor,
Acolhe os amantes
Que se exploram
Que se amam
Que se desejam
Que se querem
Mas não se têm, porque do sonho acordam. Um em cada leito, sós.

Um sonho molhado
Sonho sonhado.

Samuel Vigiano

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ANÔNIMOS CONHECIDOS

terça-feira, 26 janeiro, 2010 at 1:08 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Poesia, Prazeres, Sensualidade, Sentimentos, Sexo) (, , , , , , , )


Anônimos Conhecidos

Você é uma flor… Aquela que aparece na primavera e se torna invisível no verão. Voa em direção ao horizonte. Mas sempre deixa teu perfume.

Que me envolve e me entontece de prazer.

Prazer que eu bebo em gotas…

Gotas provenientes do seu corpo que feito como taça, cabe perfeitamente em meus lábios.

Salgadas as gotículas que saboreio como se palavras se tratassem.

Gosto salgado é sim, o da tua pele molhada de suor…

Suor que salga meus lábios lava meu corpo.

Leva-me até minha alma teus mais profundos sentidos e desejos.

Lavo-te com meu calor, que queima teu colo que repousa no meu regaço.

Que me acolhe e me tranquiliza, levando-me nas asas da calmaria e repouso lânguido sob as estrelas no firmamento.

Trago-te junto a mim. Levo-te da terra à constelação salaz. Teu corpo chora, tua pele brilha, pois dos teus poros saem lágrimas de felicidade.

Partimos rumo ao incerto, mas decerto felizes e audazes, em busca de amor eterno.

Nossa viagem nos conduz de um ao outro cômodo da vivenda. Da cama para a rua. Do paraíso ao jardim de Dante…

Tal como um quadro de Bosch, vibramos e extasiamo-nos.

Juntos, pintamos em nossos corpos “O Jardim das Delícias Terrenas”.

Meu corpo transforma-se em pincel em mão de artista, meu vinho a tinta, e teu corpo a tela.

Nasce a obra imperfeita pela mão do artista, onde se misturam sabores, odores e cores.

Na obra, ele suga da sua flor o néctar e percebe-se o delicioso sabor. A pintura deixa cores naturas, estampadas com deleite nos nossos corpos. O odor exalado entorpece-me e deixa-me sedento de ti.

Sacio esta sede, esta fome de te ter, este pecado terreno, onde se possuem os amantes.

Juntos, saciaremos nossa sede voluptuosa… Sede que me consome como língua de fogo… Possuir-te. És minha.

Não fujo das luxúrias do prazer porque minha alma é livre e meu corpo teu.

Samuel Vigiano

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POETA AMANTE

sábado, 23 janeiro, 2010 at 0:33 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Prazeres, Sensualidade, Sentimentos, Sexo) (, , , , , , )


"Amantes"

Sim, eram dois seres cálidos.

Dois seres imperfeitos, mas que eram completos pelo amor que ostentavam.
Amor, palavra que lembrava-lhes a afeição viva pela mesma coisa: a poesia.
Faziam poesia de tudo, em tudo, sempre, com nada e com tudo.

Cada gesto dele era uma poesia que a alma dela entregava rabiscada.
O olhar dela, pungente ou perspicaz, impassível ou abrasador. Era poesia ao corpo dele.
Faziam poesias com olhares e movimentos. Com respiração e contentamento.

O vinho dele era tinta no pergaminho vivo, a pele dela.
Grafava ele [o poeta] em sua epiderme… O amor.
Pele suave que propiciava a ela deleite quando suas mãos escreviam-na.

Ele transfundia nela seu sangue. Sangue de um coração vagabundo.
Fazia de modo que lavrasse no corpo virgem dela a alma nova no espelho.
Como se fosse um galeão pronto pra guerra sobre o mar.
Ele navegava sobre ela com se fosse o Mar Vermelho…

Samuel Vigiano

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MULHER DESCONHECIDA…

sexta-feira, 8 janeiro, 2010 at 19:28 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Sensualidade) (, , )

Desejo latente, como a imagem de um filme ainda não revelado…

Era o anseio dele, o coração vagabundo.

Tinha ele um coração vagabundo, irredutível, persistente e teimoso. Mas esta ambição voluptuosa não era proveniente de tal coração, mas sim oriundo daquele corpo tórrido que admirava uma mulher incógnita.

Tinha ele uma sofreguidão dilacerante que se iniciava em teus poros e percorria lhe o corpo com passagem garantida pelos seus sentidos libidinosos.

Balançava-lhe a mente e sacudia a carne.

Já ela, por sua vez, era uma mulher desconhecida que tinha tamanha responsabilidade pela causa daquele motim molecular, causava todos aqueles atritos subcutâneos, que gerava a calefação das células daquele homem, que tinha um coração vagabundo.

Mas ela ainda não sabia… Nunca soube…

Uma mulher desconhecida para seus juízos, mas não para seu corpo que sabia de tudo, cada peculiaridade feminina que carregava aquele ser…

Sabia ser cruciante aquele trajeto lhe compelia a apenas contemplar aquela beleza estonteante e que lhe fazia ter devaneios

Sabia, enxergava, sentia, ouvia, lia todos os traços daquela mulher…

Tinha-a tão perto como o céu, sentia-a na pele como o sol.

O que ele queria mesmo era que ela esquecesse seus olhos no dele, deixasse sua pele grudada na dele, que alimentasse sua avidez em beber teu prazer em gotas, saciar tua sede no humano vinho dela.

Desejava ele, coração vagabundo, mergulhar teu corpo no dela e transfundir teu sangue para aquele corpo… Mulher desconhecida!

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