NOSTALGIA

quarta-feira, 27 outubro, 2010 at 0:09 (alma, Coração vagabundo, Nostalgia, Poesia, Prazeres, Tempo) (, )

Às vezes
sinto-me triste
aparentemente sem nenhum motivo

Mas precisa de motivo?

Acho que as pessoas nas ruas
são tristes
por isso fico triste
É questão de ser solidário
com a melancolia delas

As pessoas em Dom Silvério
eram alegres e quentes

Acho que o sol
era mais gostoso lá
assim como o ar

Por isso eram poesias ambulantes

Se eu lá voltar
Trá-las-ei pra cá.

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BANHO

sábado, 16 outubro, 2010 at 21:44 (Coração vagabundo, Devaneios, Mulher, Pecado, Poesia, Prazeres, Sexo) (, )

"O Banho, Francisco Panachão"

“Me leva para o banho?”
disse com a voz trêmula
sabe, um banho é algo mágico

Por vezes
me peguei tomando as maiores decisões
da minha puta vida
no banho

A primeira vez que ejaculei
foi no banho
a primeira vez que chorei –
por estar ferido por dentro–
foi no banho

Um banho é como escrever poesia
sempre sai algo novo
e o melhor banho é aquele da madrugada
nada houve além do seu silêncio

Um banho quente
é como uma noite de sono
um banho frio
parece uma noite de sonhos

A primeira vez que notei
que
independente do estado
o pau era uniforme, torto e monstruoso
foi no banho

A primeira vez
que me apaixonei por uma música
estava no banho
também estava lá
quando
pela primeira vez
odiei uma música

O banho é uma poesia
sempre inacabada

Eu? não
não a levei para o banho
ela me levou…
a poesia.

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VINDIMA

sexta-feira, 4 junho, 2010 at 2:49 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Mulher, Nostalgia, Poesia, Prazeres) (, )

A ma santé, 1995, Francine Van Hove

Há muito de mim por ai…
Estou espalhado por ai afora
Esqueci-me em vários lugares, várias deusas…
São pedaços de mim. E agora?

Há muito de mim no mundo…
Na noite,
esses pedaços esquecidos me assombram

Sinto-me recolhido, como se delas indefeso
Por descuido e vaidade,
transformaram-me em deidade

Agora, querem-me de volta
Estação vindima. Perdi minha frugalidade
Roubaram minha vicissitude e corpórea arquivolta
São deusas vertendo em jovialidade

Filhas de Pandora,
Obsecro pela minha letargia
Ainda não chegou minha hora
Não me tomes pela mão, ó nostalgia

Queda livre neste moinho
Dilacerado, quase invoquei por ela
É culpa de meu pai, “Baco e seu vinho”
Amarfanhou muito? Acende a vela

Venha, vamos as uvas colher
De todo, marcado já estou
Não seria factível, meus pedaços recolher
Fico agora, com o vinho que me restou

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O OLHAR…

segunda-feira, 1 março, 2010 at 18:09 (Coração vagabundo, Desejos, Mulher, Olhar, Poesia, Prazeres, Sensualidade) (, , , )

Parecia a segunda parte que o toureiro executa, não prevista pelos espectadores

Do trivial olhar, do relance e casual contemplar, sobreveio o “olhar”.

Era aquela comunicação direta onde desejava ele enxergar seu reflexo na menina dos olhos dela.

Queria penetrar a retina, chegar ao cérebro e como uma mensagem deste, percorrer todo o sistema nervoso dela.

Queria sentir, telepaticamente, cada fio de cabelo se arrepiando como se fosse um vento visível se aproximar…

A temperatura do corpo dela… Ele queria sentir através do seu olhar.

Parecia terra devoluta, nunca pertencida a ninguém mesmo estando ocupada…

Tecidos, cores, brilhos, ouro… pele serena, lábios aveludados com minúsculas fissuras marcadas pelo leve batom.

Cruzavam-se novamente os globos oculares em meios de refração.
Efeito bullet-time…

Nessa fração de segundos descortinava-se o homen e a mulher.

Todos estavam por demasiado ocupados com seus pensamentos pra apreciarem o olhar penetrante lançado sobre ele, por sua vez, refletido…

Parecia não ter fim. Um clique no pause para ser ler minunciosamente cada detalhe, cada elemento subjetivo, cada palavra estampada naquele arrostar…

Ele se perdeu naquele olhar…

Em meio as cirradas bordas carnudas e vermelhas, que pareciam desenhadas recentemente, despontava um tímido sorriso.

Como o sol manifesta seu brilho acanhado em meio a cinzas nuvens, formavam-se os traços epidérmicos da alegria.

Nenhuma palavra, um olhar, muitas sensações.

Ela esqueceu seus olhos no dele…

(Samuel Vigiano)

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ANÔNIMOS CONHECIDOS

terça-feira, 26 janeiro, 2010 at 1:08 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Poesia, Prazeres, Sensualidade, Sentimentos, Sexo) (, , , , , , , )


Anônimos Conhecidos

Você é uma flor… Aquela que aparece na primavera e se torna invisível no verão. Voa em direção ao horizonte. Mas sempre deixa teu perfume.

Que me envolve e me entontece de prazer.

Prazer que eu bebo em gotas…

Gotas provenientes do seu corpo que feito como taça, cabe perfeitamente em meus lábios.

Salgadas as gotículas que saboreio como se palavras se tratassem.

Gosto salgado é sim, o da tua pele molhada de suor…

Suor que salga meus lábios lava meu corpo.

Leva-me até minha alma teus mais profundos sentidos e desejos.

Lavo-te com meu calor, que queima teu colo que repousa no meu regaço.

Que me acolhe e me tranquiliza, levando-me nas asas da calmaria e repouso lânguido sob as estrelas no firmamento.

Trago-te junto a mim. Levo-te da terra à constelação salaz. Teu corpo chora, tua pele brilha, pois dos teus poros saem lágrimas de felicidade.

Partimos rumo ao incerto, mas decerto felizes e audazes, em busca de amor eterno.

Nossa viagem nos conduz de um ao outro cômodo da vivenda. Da cama para a rua. Do paraíso ao jardim de Dante…

Tal como um quadro de Bosch, vibramos e extasiamo-nos.

Juntos, pintamos em nossos corpos “O Jardim das Delícias Terrenas”.

Meu corpo transforma-se em pincel em mão de artista, meu vinho a tinta, e teu corpo a tela.

Nasce a obra imperfeita pela mão do artista, onde se misturam sabores, odores e cores.

Na obra, ele suga da sua flor o néctar e percebe-se o delicioso sabor. A pintura deixa cores naturas, estampadas com deleite nos nossos corpos. O odor exalado entorpece-me e deixa-me sedento de ti.

Sacio esta sede, esta fome de te ter, este pecado terreno, onde se possuem os amantes.

Juntos, saciaremos nossa sede voluptuosa… Sede que me consome como língua de fogo… Possuir-te. És minha.

Não fujo das luxúrias do prazer porque minha alma é livre e meu corpo teu.

Samuel Vigiano

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POETA AMANTE

sábado, 23 janeiro, 2010 at 0:33 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Prazeres, Sensualidade, Sentimentos, Sexo) (, , , , , , )


"Amantes"

Sim, eram dois seres cálidos.

Dois seres imperfeitos, mas que eram completos pelo amor que ostentavam.
Amor, palavra que lembrava-lhes a afeição viva pela mesma coisa: a poesia.
Faziam poesia de tudo, em tudo, sempre, com nada e com tudo.

Cada gesto dele era uma poesia que a alma dela entregava rabiscada.
O olhar dela, pungente ou perspicaz, impassível ou abrasador. Era poesia ao corpo dele.
Faziam poesias com olhares e movimentos. Com respiração e contentamento.

O vinho dele era tinta no pergaminho vivo, a pele dela.
Grafava ele [o poeta] em sua epiderme… O amor.
Pele suave que propiciava a ela deleite quando suas mãos escreviam-na.

Ele transfundia nela seu sangue. Sangue de um coração vagabundo.
Fazia de modo que lavrasse no corpo virgem dela a alma nova no espelho.
Como se fosse um galeão pronto pra guerra sobre o mar.
Ele navegava sobre ela com se fosse o Mar Vermelho…

Samuel Vigiano

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