TALVEZ

sábado, 16 outubro, 2010 at 21:50 (alma, Coração vagabundo, Devaneios, Existência, Inconsistências, Poesia) (, , )

"Tange, Lucio Maia"

Talvez não…
talvez o sol
não goste de sair todos os dias

Talvez
eu não esteja tão bem assim

Talvez
o mais difícil seja acordar –
tenho tido sonhos tão bons –
e encarar este mundo sujo

Talvez
o timbre forte e alto da minha voz
não assuste tanto assim

Talvez
eu não seja tão bom assim

Talvez
não escreva apenas por vontade
ou mera liberalidade
mas sim
por pura necessidade.

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TERRÁQUEOS INVISÍVEIS

quarta-feira, 10 março, 2010 at 0:05 (alma, Coração vagabundo, Existência, Mundo, Olhar, Pessoas, Sentimentos, Tempo) (, , , )

TERRÁQUEOS INVISÍVEIS

Coisas aconteciam lá fora…
Coisas que aqueles terráqueos deram o nome de vida.
Descobriu que lá fora, depois daquela janela, passavam vidas…

Por uma singela fração de segundos aquele vidro fumê foi o portal.
O portal que não podia ser transpassado
Que separava a vida lá fora e o pensamento ali dentro.

Como no mito da caverna, ele apenas via
Via que lá fora tinha alguma vida
Que ele estava sentado em cima de alguma pedra
Uma pedra chamada pensamento numa fração de segundo.

Naquele instante ele não existia
Extinguira-se juntamente com a existência humana.
Humanos? O que era isso? Aqueles terráqueos?

Eles não sabem o que fazem…
Não sentem as nuvens
Não vêem os pássaros
Não ouvem o sol…
Ah, eles não sabiam o que era isso…

Um monstro…
Um monstro sagrado e bonito.
Parece que ele pintava um quadro vivo
De repente surge ele, o mar…
Mar de gente invisível… Seriam esses os humanos?

Algo molha sua face
Era quente, parecia terráqueos…
Ou humanos invisíveis?
Era vermelho… Vermelho e viscoso.

Aquilo que brilhava no alto se foi…
Tudo tremia. Tripudiavam suas moléculas
Alarde coletivo de terráqueos invisíveis e perdidos no mar…
No mostro… Pista traiçoeira.
Acordou da vida…

Samuel Vigiano

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