DESCUIDADO

sábado, 30 outubro, 2010 at 20:14 (Coração vagabundo, Desejos) (, , )

Eu
não te amo
mas te quero

Eu
te quero
mas não estou apaixonado

Sou
sou apenas um descuidado

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PIRATA

domingo, 13 junho, 2010 at 6:41 (Coração vagabundo, Desejos, Mulher, Pecado, Poesia) (, , , , )

La fleur de vin, 1996, Francine Van Hove

Na escuridão noturna, ela chegava
Em meio ao sol iluminado, ela estava
Apossava se, compelidamente, da massa nervosa
Assim a fazia sem nenhuma prosa

Como numa odisséia, introduzida por Homero, ladrões.
Pirateava, ela sugava idéias e pensamentos
Como num corso entre galeões,
O fazia refém dentro daqueles pensamentos.

Estava ele preso, quiçá indefeso
Entregue à pirata como se fosse uma taça de vinho
Comemorando a vitória, mas ainda ileso.
Um rosa, com mais espinho.

Usurpadora. Entrava naquele mar,
Patenteada de modelo ultrapassado,
Não tinha, ela, nada a doar.
Não tinha nem passado.

O código de conduta dos piratas,
Ela não seguia…
Ele, ainda um pilatas.
Talvez viesse de alguma monarquia.

Navegava em águas turvas
Atracou num porto desconhecido
Caminhou por tantas curvas
Roubando dele os pensamentos. Agora desfalecido

Pirata de olhos verdes e olhar carente
De pura intromissão, adentraste dele abismo
Levaste aqueles pensamentos, perdidos tão somente
Ficou, agora, apenas com o empirismo.

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VINDIMA

sexta-feira, 4 junho, 2010 at 2:49 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Mulher, Nostalgia, Poesia, Prazeres) (, )

A ma santé, 1995, Francine Van Hove

Há muito de mim por ai…
Estou espalhado por ai afora
Esqueci-me em vários lugares, várias deusas…
São pedaços de mim. E agora?

Há muito de mim no mundo…
Na noite,
esses pedaços esquecidos me assombram

Sinto-me recolhido, como se delas indefeso
Por descuido e vaidade,
transformaram-me em deidade

Agora, querem-me de volta
Estação vindima. Perdi minha frugalidade
Roubaram minha vicissitude e corpórea arquivolta
São deusas vertendo em jovialidade

Filhas de Pandora,
Obsecro pela minha letargia
Ainda não chegou minha hora
Não me tomes pela mão, ó nostalgia

Queda livre neste moinho
Dilacerado, quase invoquei por ela
É culpa de meu pai, “Baco e seu vinho”
Amarfanhou muito? Acende a vela

Venha, vamos as uvas colher
De todo, marcado já estou
Não seria factível, meus pedaços recolher
Fico agora, com o vinho que me restou

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O LIMITE

sábado, 15 maio, 2010 at 17:17 (alma, Coração vagabundo, Desejos, Poesia) (, , )

O limite da terra é o mar
O limite da dor é gritar
O limite do calor é queimar
O que é o “limite”?

O limite do corpo é a física
O limite dos ouvidos é a música
O limite da raiva é chorar
O limite do silêncio é falar
O que é “limite”?

O limite da tinta é o papel
O limite da boca é o beijo
O limite do chão é o céu
O limite do desejo é o ensejo
O limite do limite é o verbo

O limite do verbo é conjugar
O limite do limite é conjugar o verbo amar.

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ANEDOTÁRIO….

sexta-feira, 23 abril, 2010 at 23:05 (Coração vagabundo, Desejos, Nostalgia, Poesia, Sentimentos, Tempo) ()

Foto extraída do Blog "O Equador das Coisas"

O anedotário humano, trigueiro e solitário
Inocente, matuto. Um pequeno otário.
De menino vadio, saliente
Para mancebo da palavra delinqüente

De passos incertos, perversos
Concerto de anedotas, fala rouca.
Um “passo”, por não saber a resposta
Planos reversos

Barro anforal, mãos deleitadas.
Do toque cálido ao frio argiloso
Forma rotunda, daquelas mãos oriundas.
Um sorriso contido ao segurar o receptáculo barroso

Um presente vazio que aguarda ser preenchido.
Nas mãos do menino, um desejo mesquinho.
Anedotas.

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O DESAVISADO E O PECADO

sexta-feira, 2 abril, 2010 at 18:47 (Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Mulher, Olhar, Pecado, Poesia) (, , , , )

Ela tem olhos cor de mel,
Sorriso de criança e lábios sabor de maçã.
Maçã do amor.

A pele como seda imperial
O cheiro de mirra do Egito
E o olhar de Medusa.

Tão fácil é perder-se naquele olhar,
Fatal e mortal.
Tão, mais ainda, mortal pra um desavisado como eu…

Como embrenhar no mar devoluto
Um galeão sem tripulação, uma guerra sem soldados
Uma dança sem música… Ele, desavisado.

Nenhum atrevido restou pra contar história
Contar história e avisar-lhe
Arriscavam no mar, sem mapa ou bússola pra guiar.
Nunca mais iria voltar.

O calor da mão dela derretia…
Derretia o gelo no copo de whisky dele.
A vida se esvaia concomitantemente com aquele gelo.

Do próprio veneno, o pecado
Do pecado, o desavisado
Do desavisado, a morte
Da morte, o amor.

O pecado do desavisado,
Provar o veneno.

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PELE ROSADA…

sábado, 27 março, 2010 at 13:27 (Coração vagabundo, Desejos, Mulher, Poesia, Sensualidade) (, )

Pernas cruzadas,
Pele levemente rosada,
Mãos delicadas com perfeitas unhas
Todas pintadas de esmalte rosa chiclete.

Tinha um olhar compenetrado,
Lia alguma coisa que a prendia.
Lábios avermelhados que pareciam receptivos,
Receptivos a um beijo carnal.

Um colar reluzente,
Talvez fosse diamante azul.

Tão concentrada…
Nem mesmo meu olhar desinquieto incomodava-a.
Seria Julia ou Ana?
Fico sem saber, menina da pele rosada.

Samuel Vigiano

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O OLHAR…

segunda-feira, 1 março, 2010 at 18:09 (Coração vagabundo, Desejos, Mulher, Olhar, Poesia, Prazeres, Sensualidade) (, , , )

Parecia a segunda parte que o toureiro executa, não prevista pelos espectadores

Do trivial olhar, do relance e casual contemplar, sobreveio o “olhar”.

Era aquela comunicação direta onde desejava ele enxergar seu reflexo na menina dos olhos dela.

Queria penetrar a retina, chegar ao cérebro e como uma mensagem deste, percorrer todo o sistema nervoso dela.

Queria sentir, telepaticamente, cada fio de cabelo se arrepiando como se fosse um vento visível se aproximar…

A temperatura do corpo dela… Ele queria sentir através do seu olhar.

Parecia terra devoluta, nunca pertencida a ninguém mesmo estando ocupada…

Tecidos, cores, brilhos, ouro… pele serena, lábios aveludados com minúsculas fissuras marcadas pelo leve batom.

Cruzavam-se novamente os globos oculares em meios de refração.
Efeito bullet-time…

Nessa fração de segundos descortinava-se o homen e a mulher.

Todos estavam por demasiado ocupados com seus pensamentos pra apreciarem o olhar penetrante lançado sobre ele, por sua vez, refletido…

Parecia não ter fim. Um clique no pause para ser ler minunciosamente cada detalhe, cada elemento subjetivo, cada palavra estampada naquele arrostar…

Ele se perdeu naquele olhar…

Em meio as cirradas bordas carnudas e vermelhas, que pareciam desenhadas recentemente, despontava um tímido sorriso.

Como o sol manifesta seu brilho acanhado em meio a cinzas nuvens, formavam-se os traços epidérmicos da alegria.

Nenhuma palavra, um olhar, muitas sensações.

Ela esqueceu seus olhos no dele…

(Samuel Vigiano)

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SONHO MOLHADO

sábado, 6 fevereiro, 2010 at 14:23 (alma, Amor, Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Mulher, Poesia, Sensualidade) (, , , , , , , )

Fascinação esta que me persegue
Que me enclausura na teia do amor

Que me recolhe em pleno ninho e me leva até o seu calor…
Onde me apeteço por sua alma carnal sem pudor

Entrego-me ao seu encanto divinal e de candura
Percorremos os caminhos da sedução docemente e suavemente, absorvemo-nos

Absorvemo-nos tal qual papel virgem é fundido na tinta vermelha
Como um vinho sobre ele entornado

Despertamos sensações adormecidas e aprisionadas
A pele alva e delicada, tocada por mim
Os lábios aveludados beijados por ti

Minha pele agita-se ao sentir o doce toque de suas mãos
Meus poros exalam excitação, molham tuas mãos com o suor voluptuoso
Seus lábios aveludados parecem querer permanecer para sempre colados aos meus

Sugamos o sabor da vida, olho teus olhos cintilantes, retiro o desejo e a languidez

Sabor que sinto ao deslizar pela tua pele molhada com o nosso suor
Que sinto ao percorrer com minha boca sedenta o teu corpo estirado como se pedisse meu prazer
Como se fosse uma taça de vinho, aprecio vagarosamente teu prazer

No ar um odor, as pétalas de rosas que inalamos devagar. O leito repleto de amor,
Acolhe os amantes
Que se exploram
Que se amam
Que se desejam
Que se querem
Mas não se têm, porque do sonho acordam. Um em cada leito, sós.

Um sonho molhado
Sonho sonhado.

Samuel Vigiano

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DISRITMIA

domingo, 31 janeiro, 2010 at 4:45 (alma, Amor, Coração vagabundo, Desejos, Devaneios, Espelho, Mulher, Poesia, Sentimentos) (, , , , , , , , )

Percebe-me? Minha respiração marca o espelho da tua alma. Sente-me? Percorro tuas veias, vou até seu coração. Ouve-me? Coração em disritmia.

Despertas em mim, sentidos e emoções… Que faz meus poros tripudiar como se fosse milhões de vulcões.

É a disposição ordenada de palavras despidas que incita percorrer minha imaginação como se tivesse na descida da avenida. Queima…

Pensamentos atentos convertidos em palavras ao pé do ouvido sussurradas que meu corpo lavra. Lavra como se talhasse na madeira de lei.

Como se fosse madeira de lei oferecida a um rei. Tuas palavras convertidas em pontos no tempo talham minha pele úmida a todo o momento.

Por um instante me perco na intensidade de seus pensamentos sussurrados que chegam de forma penetrante e me deixa estonteante…

Dito já foi: a noite é uma criança. Lançarei sobre ti meu olhar fugaz que te trará junto com a noite estrelada e cairás sobre mim.

Meu regaço arde em chamas, minha pele te reclama, meu calor é o seu pudor. Suprimida será sua dor…

Percebe-me? Minha respiração marca o espelho da tua alma. Sente-me? Percorro tuas veias, vou até seu coração. Ouve-me? Coração em disritmia.

Hei, de todas as formas, te amar [com palavras, gesto, respiração, carinho no corpo e olhar]. Lhe darei meu coração se me deres teu luar. Mulher de fases, irei te amar…

Mulher de fases… Fases da lua, fases que são sua… Sorriso de criança, corpo de menina e alma de mulher… É assim que você é.

Estou perdendo-me nas tuas palavras, teus encantos, tuas histórias… Encontre-me, por favor.

Samuel Vigiano

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