POESIA AUTOBIOGRÁFICA

sábado, 13 novembro, 2010 at 21:07 (Coração vagabundo) (, )

"Passando o tempo, Kim Molinero"

eu sou o ausente mais presente
que existe sobre a face molhada da terra.

sou sonhador e aventureiro
sou louco e civilizado
desconfiado por natureza –
até da minha sombra –
discreto por esperteza.

escrevo, mas não por luxo
mas por questão de sobrevivência
costumo praticar orgias literárias –
ao mesmo tempo que leio Bukowski e Kerouac,
também estou lendo Quintana e Corsaletti.

costumo tomar drinks com as estrelas,
bater papo com o mar
e flertar com a noite.

não sei o que sou mais,
insistente ou persistente.

tenho uma relação profunda
de amor e dependência psíquica e física
com a noite,
assim também em relação à poesia.

já descobri que sou uma poesia ambulante.

às vezes, fico acordado toda madrugada
apenas para ouvir o silêncio
sólido e melancólico
que persegue a noite.

para completar (-me),
dou-me o prazer de sentir o vento
e ver ele sibilar logo acima dos meus ombros
– claro, isso vale uma noite de sono.

prefiro não auto reler-me
para não correr o risco de ser influenciado.

tenho o costume de esquecer-me
em alguns lugares e em algumas pessoas
porque é sempre bom quando volto
para buscar-me.

ouço música
na esperança que elas tragam-me a paz
que o mundo rouba – por falar nisso,
Elvis, Paul, Lennon e Cartola têm me entendido
como ninguém…

bebo cerveja
pensando que serei arrebatado
deste mundo
e passarei uma temporada na terra
dos esquimós,
onde se compartilha até esposas…

espio fotos de desconhecidos
pois parece-me que assim,
emprestam-me por alguns segundos
seus lugares e suas vidas.

vivo tomando nota da vida,
sem que ela perceba, claro.

uso metáforas
na esperança que elas salvem-me
da punição lúcida deste mundo.

uivo como um lobo,
que é para proteger o menino
que dorme dentro de mim.

percebi que minha vida é uma peça de teatro
e eu não sou o ator principal,
e muito menos o diretor, claro…

já tive desejo de não precisar do sono,
mas tão somente do sonho.
Também quis não precisar falar,
apenas com os olhos pensar…

já escrevi poesia sobre saudade
com a vã esperança de que,
talvez,
ela atenuasse a dor e, claro,
descobri que estava enganado.

sim, acredito em saudades intermináveis.

Gosto de colecionar pessoas.

descobri
que a perda nos ensina a sermos mais humanos
e a entender mais a vida.
a literatura ensina a suportarmos as perdas
e a viver outras vidas…

tenho tendência de fazer com que as coisas
sejam do meu jeito.

sou também, um pacifista,
um anarquista, um cidadão planetário
e assim por diante…

pratico solidariedade
com a melancolia alheia.

escrevo não apenas por vontade
ou mera liberalidade
mas sim por pura necessidade.

caminho, sempre, num cemitério de almas.

não sei de nada
e nada sabe sobre mim.

queria ser um Vagabundo Iluminado
mas sou apenas um Coração Vagabundo,
apesar de que já disseram-me que sou
mais um coração perdido do que vagabundo.

Link permanente Deixe um comentário

SOLIDÃO

domingo, 7 novembro, 2010 at 15:20 (alma, Coração vagabundo, Devaneios, Inconsistências, Poesia) (, )

Solidão…
é ouvir o próprio sangue
ranger por entre a carne crua,
escutar o som trépido e quente
que corre rápido pelas veias

Solidão…
é sentir o perfume do ar
e ver como o vento – da janela aberta –
acaricia suavemente a pele
e faz os poucos pelos dançarem…

Solidão…
é conversar com seus poros
que choram por seus pensamentos…
Pensamentos… que parece ópios penetrando
sua carne branca e devoluta

A solidão compele
o juízo desertor, sem pudor,
rasga a pele, movimenta células,
que dançam numa explosão atômica
tudo é calor!

Solidão,
é pessoa sem nome e endereço,
sem carne nem sangue,
que te toma, emprestado, seu corpo.

Link permanente Deixe um comentário