DESCUIDADO

sábado, 30 outubro, 2010 at 20:14 (Coração vagabundo, Desejos) (, , )

Eu
não te amo
mas te quero

Eu
te quero
mas não estou apaixonado

Sou
sou apenas um descuidado

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ESTIVE, TALVEZ E SE

sábado, 30 outubro, 2010 at 20:13 (Coração vagabundo, Devaneios, Poesia) (, )

Estive,
pensando
um dia desses,
em tomar um drink com as estrelas,
bater um papo com o mar
e flertar com a noite…

Talvez,
eu também encontre
uma pedra achatada,
uma maravilha de dez metros de altura
e dez metros de base,
que é para sentir-me confortável

Se,
a lua for com minha cara,
sentará comigo a mesa
e ouvirá os meus segredos

Se,
tiver sorte,
terei algumas árvores retorcidas
por perto
assim como tinha Ray Smith

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LIGEIRA

sábado, 30 outubro, 2010 at 20:13 (Coração vagabundo) (, , )

Ligeira.
Por mais rápido que eu caminhasse
não conseguia alcançá-la

Suas pernas de aço
faziam um pequeno estrondo no chão
e um arrombo na alma
seus cabelos esvoaçavam-se
como se pretendessem fazê-las flutuar

menina das pernas de aço

Como uma criança,
queria correr…
Mas não podia,
sem as pernas tremer –
juntas, até pareciam unidas –

Eu vi seu rosto.
Sim, era linda.
Eu vi um anjo!

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NOSTALGIA

quarta-feira, 27 outubro, 2010 at 0:09 (alma, Coração vagabundo, Nostalgia, Poesia, Prazeres, Tempo) (, )

Às vezes
sinto-me triste
aparentemente sem nenhum motivo

Mas precisa de motivo?

Acho que as pessoas nas ruas
são tristes
por isso fico triste
É questão de ser solidário
com a melancolia delas

As pessoas em Dom Silvério
eram alegres e quentes

Acho que o sol
era mais gostoso lá
assim como o ar

Por isso eram poesias ambulantes

Se eu lá voltar
Trá-las-ei pra cá.

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TALVEZ

sábado, 16 outubro, 2010 at 21:50 (alma, Coração vagabundo, Devaneios, Existência, Inconsistências, Poesia) (, , )

"Tange, Lucio Maia"

Talvez não…
talvez o sol
não goste de sair todos os dias

Talvez
eu não esteja tão bem assim

Talvez
o mais difícil seja acordar –
tenho tido sonhos tão bons –
e encarar este mundo sujo

Talvez
o timbre forte e alto da minha voz
não assuste tanto assim

Talvez
eu não seja tão bom assim

Talvez
não escreva apenas por vontade
ou mera liberalidade
mas sim
por pura necessidade.

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BANHO

sábado, 16 outubro, 2010 at 21:44 (Coração vagabundo, Devaneios, Mulher, Pecado, Poesia, Prazeres, Sexo) (, )

"O Banho, Francisco Panachão"

“Me leva para o banho?”
disse com a voz trêmula
sabe, um banho é algo mágico

Por vezes
me peguei tomando as maiores decisões
da minha puta vida
no banho

A primeira vez que ejaculei
foi no banho
a primeira vez que chorei –
por estar ferido por dentro–
foi no banho

Um banho é como escrever poesia
sempre sai algo novo
e o melhor banho é aquele da madrugada
nada houve além do seu silêncio

Um banho quente
é como uma noite de sono
um banho frio
parece uma noite de sonhos

A primeira vez que notei
que
independente do estado
o pau era uniforme, torto e monstruoso
foi no banho

A primeira vez
que me apaixonei por uma música
estava no banho
também estava lá
quando
pela primeira vez
odiei uma música

O banho é uma poesia
sempre inacabada

Eu? não
não a levei para o banho
ela me levou…
a poesia.

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INTRUSO

sábado, 16 outubro, 2010 at 21:22 (Coração vagabundo, Mulher, Pecado, Poesia) (, )

"S/T, Víctor Tajes Martíns"

Antes, ainda nem existia
agora, é boca, lábios, olhos
de um sorriso nefasto,
de um escuro misterioso
de um nada… foi assim

De pés cobertos
mãos desinquietas
de brilho no escuro
pude ouvir tua respiração
consistente te denunciar

Um cheiro de flor
um silêncio e calor
uma imagem de amor
que não me pertence

Um intruso na poesia alheia
saio para não deixar rastro
Eu não sou um da tua aldeia

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NOTA

domingo, 10 outubro, 2010 at 4:31 (Coração vagabundo, Devaneios, Inconsistências)

eu vejo aqueles que caminham,
entrelaçados como se quisessem mostrar
para todos que o abraço foi inventado
por eles

eu vejo aquela que lê,
solitária e confusa,
como se não soubesse ler

eu vejo aquelas que conversam
e se olham,
como se não se vissem há dez anos

eu vejo aquele que também lê,
mas olha para todos os lados
querendo ser notado

eu? Apenas vejo, penso…
tomo nota.
ninguém nota…

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POST’IT

domingo, 10 outubro, 2010 at 4:05 (Coração vagabundo, Mulher, Poesia, Sentimentos, Tempo)

post’it…
tudo o que ela tinha para me dizer
cabia num post’it amarelo
colado na primeira página do meu livro
onde as palavras gritavam

como se fosse um funeral,
procurei guardar as palavras
antes que elas me guardassem

simples como um anel,
de tão doces,
amargas como fel.

aquele livro,
não mais voltarei a ler,
aquela moça,
nunca mais voltarei a ver.

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NOVATA

domingo, 10 outubro, 2010 at 3:59 (Coração vagabundo)

“é que sou nova por aqui
e ainda não conheço tudo”

que voz mais doce e suave,
que sorriso tímido delicioso
que olhar firme,
suavemente melancólico.

um rostinho de criança esperta
corpo de mulher carente,
daqueles que conversa com agente

puxando os cabelos para atrás
da orelha,
ainda olhou-me
e saiu com meu sorriso.

como eu queria…
ouvir novamente aquela voz.

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