SANGUE AZUL

domingo, 26 setembro, 2010 at 21:03 (alma, Coração vagabundo, Inconsistências, Poesia) (, )

Meu sangue é azul,
eu sei.
Eu vi. Sangue azul.
Mas não sou um aristocrata
Sou apenas um poeta
Sem nome; e de sangue azul

À meritocracia,
do sono do inocente.
Mérito jacobino de um país
de insanos, de um Estado palaciano

Escrevo para os ventos
Alguns cumprimentos
Sentimentos

Em folha amarela,
Vejo meu sangue esparramado
Em gotas,
foi derramado em vão.
Sangue azul de um varão.

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HUMANO

segunda-feira, 20 setembro, 2010 at 13:37 (alma, Pessoas, Poesia) (, )

“Tudo é humano”,
dizia Ronaldo,
enquanto mordia seu pão com pernil.
Eu lia Bukowski e bebia uma cerveja
quando ele sentou-se ao meu lado.

Ele acabara de beijar a mulher de sua vida
pela primeira vez.
Estava feliz.
Eu acabara de deixar uma mulher na esquina,
depois do teatro.
Estava confuso.

Dizia que ser humano é tudo que se move conscientemente
O que eu chamava de bizarro,
ele dizia: “humano”

“E aquelas mulheres ali?”
Perguntou.
“Zuadas”, eu disse.
Não, humanas. Disse ele.

Não existe nada zuado ou bizarro
Tudo é aceitável, humano.
Tudo é poesia.

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SAUDADE

sábado, 18 setembro, 2010 at 0:46 (Coração vagabundo, Poesia, Saudades) (, )

Le nom des fleurs, 2001, Francine Van Hove

Tenho uma saudade que dá
Vontade de te ouvir falar…
Ouvir o meu nome pronunciar.
Na madrugada fria,
Pelo meu nome chamar…

Tenho uma saudade
Que antecede meus pensamentos
Sucede meus atos.
Persegue-me
Em todos os momentos…

Tenho uma saudade que me tira…
O ar…
Que me atira no mar
Que não atira para matar

Tenho uma saudade que não é minha
Não é minha…
Por acaso é sua?

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PEDAÇO

sábado, 11 setembro, 2010 at 1:15 (Coração vagabundo)

Woman's Face, Ana Maria Baralt

Um pedaço de mim
É o que por aí anda a solta
Eu sei, eu dei-o
E agora?

Um pedaço de mim
Minha metade que despendeu
Levou um naco de poesia
Foi exilada no meu imo

Amputei-o numa vicissitude
Perdi-o numa testilha de galeões
Deixei-o sobre a mesa
Aquela mesa…

Oh, pedaço de mim
Desceste pelo rio de minh’alma
Talvez, agora, esteja no mar
Ou, olvidado de amar

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SER /ESTAR – POETA

terça-feira, 7 setembro, 2010 at 18:11 (Coração vagabundo)

Ao poeta cabe tudo
Às vezes, também nada…
Diria que na maioria das vezes, é nada.
Às vezes lembra um palhaço do circo do terreno baldio…
Esse, mesmo de alma triste, sorri de rosto alegre.

Cabe ao poeta acender a luz onde tiver escuro,
Saciar a fome daqueles que querem comer, palavras…
Matar a sede daqueles que precisam de vinho,
Matar sua própria alma para ver se ela nasce novamente…

Fazer rimas não é necessário…
Por que a poesia da vida, nem todos conseguem ler.
Nem todos conseguem ver,
Ou sequer, saber escrever…

Escrever a cada momento, cada segundo
Em tempo integral da vida humana
Procurar palavras quando no baú só há uma letra
Ainda enferrujada…

O poeta cansa de ser, quer também estar…
Eles são chorões, beberrões, tristes, alegres, abstêmicos…
São tudo que se pode ser, mas eles não querem mais ser…
Ser poeta é viver.

É ser, estar… É um verbo conjugar
Também é ser conjugado

Ser poeta é ser amigo, é ser amor…
Doar amor (pro filho, pra mãe, pro amor)
Ser poeta é sofrer, mesmo sem querer…
É querer, mesmo sem poder…

Ser poeta é não ser compreendido
É ser expulso do seu próprio mundo
Preso na sua própria cela
E, às vezes, inventar o próprio pecado.

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OS OUTROS

sexta-feira, 3 setembro, 2010 at 21:23 (alma, Coração vagabundo, Devaneios, Inconsistências, Mundo, Nostalgia, Olhar, Palavras, Pessoas, Poesia) (, )

Eles riem
Comem, andam, choram
Famílias constituem

Eles param,
Ficam, olham, resmungam
Às vezes, falam
Quase nunca, sorriem

Eles são,
Os outros…
Todos os dias, os outros eles serão…

Os outros são espelhos,
Por vezes, peguei me olhando num deles
Rosto espelhado pelas lágrimas
O sal das águas entupia os poros, deles…

Os outros
São apressados. Mas nem todos,
Alguns deles, desbotados, obstinados
Estão sempre espantados…

Eles me olham, sem me ver
Eles falam sem a boca mexer
Eles são e serão
Apenas os outros.

Eles estão
Sempre com a cabeça cheia
De coisas ou sabe-se lá o que
São eles, os outros do dia.

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