PELE ROSADA…

sábado, 27 março, 2010 at 13:27 (Coração vagabundo, Desejos, Mulher, Poesia, Sensualidade) (, )

Pernas cruzadas,
Pele levemente rosada,
Mãos delicadas com perfeitas unhas
Todas pintadas de esmalte rosa chiclete.

Tinha um olhar compenetrado,
Lia alguma coisa que a prendia.
Lábios avermelhados que pareciam receptivos,
Receptivos a um beijo carnal.

Um colar reluzente,
Talvez fosse diamante azul.

Tão concentrada…
Nem mesmo meu olhar desinquieto incomodava-a.
Seria Julia ou Ana?
Fico sem saber, menina da pele rosada.

Samuel Vigiano

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TERRÁQUEOS INVISÍVEIS

quarta-feira, 10 março, 2010 at 0:05 (alma, Coração vagabundo, Existência, Mundo, Olhar, Pessoas, Sentimentos, Tempo) (, , , )

TERRÁQUEOS INVISÍVEIS

Coisas aconteciam lá fora…
Coisas que aqueles terráqueos deram o nome de vida.
Descobriu que lá fora, depois daquela janela, passavam vidas…

Por uma singela fração de segundos aquele vidro fumê foi o portal.
O portal que não podia ser transpassado
Que separava a vida lá fora e o pensamento ali dentro.

Como no mito da caverna, ele apenas via
Via que lá fora tinha alguma vida
Que ele estava sentado em cima de alguma pedra
Uma pedra chamada pensamento numa fração de segundo.

Naquele instante ele não existia
Extinguira-se juntamente com a existência humana.
Humanos? O que era isso? Aqueles terráqueos?

Eles não sabem o que fazem…
Não sentem as nuvens
Não vêem os pássaros
Não ouvem o sol…
Ah, eles não sabiam o que era isso…

Um monstro…
Um monstro sagrado e bonito.
Parece que ele pintava um quadro vivo
De repente surge ele, o mar…
Mar de gente invisível… Seriam esses os humanos?

Algo molha sua face
Era quente, parecia terráqueos…
Ou humanos invisíveis?
Era vermelho… Vermelho e viscoso.

Aquilo que brilhava no alto se foi…
Tudo tremia. Tripudiavam suas moléculas
Alarde coletivo de terráqueos invisíveis e perdidos no mar…
No mostro… Pista traiçoeira.
Acordou da vida…

Samuel Vigiano

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O OLHAR…

segunda-feira, 1 março, 2010 at 18:09 (Coração vagabundo, Desejos, Mulher, Olhar, Poesia, Prazeres, Sensualidade) (, , , )

Parecia a segunda parte que o toureiro executa, não prevista pelos espectadores

Do trivial olhar, do relance e casual contemplar, sobreveio o “olhar”.

Era aquela comunicação direta onde desejava ele enxergar seu reflexo na menina dos olhos dela.

Queria penetrar a retina, chegar ao cérebro e como uma mensagem deste, percorrer todo o sistema nervoso dela.

Queria sentir, telepaticamente, cada fio de cabelo se arrepiando como se fosse um vento visível se aproximar…

A temperatura do corpo dela… Ele queria sentir através do seu olhar.

Parecia terra devoluta, nunca pertencida a ninguém mesmo estando ocupada…

Tecidos, cores, brilhos, ouro… pele serena, lábios aveludados com minúsculas fissuras marcadas pelo leve batom.

Cruzavam-se novamente os globos oculares em meios de refração.
Efeito bullet-time…

Nessa fração de segundos descortinava-se o homen e a mulher.

Todos estavam por demasiado ocupados com seus pensamentos pra apreciarem o olhar penetrante lançado sobre ele, por sua vez, refletido…

Parecia não ter fim. Um clique no pause para ser ler minunciosamente cada detalhe, cada elemento subjetivo, cada palavra estampada naquele arrostar…

Ele se perdeu naquele olhar…

Em meio as cirradas bordas carnudas e vermelhas, que pareciam desenhadas recentemente, despontava um tímido sorriso.

Como o sol manifesta seu brilho acanhado em meio a cinzas nuvens, formavam-se os traços epidérmicos da alegria.

Nenhuma palavra, um olhar, muitas sensações.

Ela esqueceu seus olhos no dele…

(Samuel Vigiano)

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